25/07/2017

Penúltimo dia do Cena Contemporânea contará com foto histórica e performance de Maikon K

DNA de DAN

DNA de DAN. Foto: Guto Muniz

O maior festival de teatro do Centro-Oeste irá receber o trabalho do artista curitibano detido durante apresentação no Museu da República, em Brasília

Há dois meses, o Cena Contemporânea começou a orquestrar uma foto-protesto para fechar a edição de 2017, que acontece entre 22 de agosto e 3 de setembro. A foto, prevista para o dia 2 de setembro, será resultado de uma oficina voltada para o debate sobre nudez artística e aberta a todos os voluntários que se proponham a se despir como uma forma de se manifestar política, social e culturalmente, desde que maiores de 18 anos.

Entre os artistas convidados a discutir a temática antes da realização da foto, o performer paranaense Maikon K fará um depoimento sobre seu trabalho e sobre a detenção do último dia 15 de julho, quando foi impedido de fazer sua performance. O artista retorna a Brasília a convite do Cena Contemporânea, com apoio operacional do SESC. Além do relato durante a atividade formativa de encerramento do festival, Maikon K apresentará o trabalho DNA de DAN, que acabou percebido como ato obsceno aos olhos da PM do DF.

Assim como a performance de Maikon, a oficina que resultará na histórica foto também está prevista para acontecer no Museu da República. A ação contará com o renomado fotógrafo brasiliense Kazuo Okubo para conduzir a atividade e a foto. O desafio é propor a imagem com o maior número de corpos nus já registrada na capital do país.

Quando da detenção de Maikon, o Cena Contemporânea rapidamente se colocou à disposição de recebê-lo, propondo uma nova realização da performance interrompida. Não somente em repúdio à arbitrariedade praticada, que rompe com a liberdade outorgada à expressão artística, mas também pelo diálogo imediato que se estabeleceu entre a arte de Maikon e a atividade formativa pretendida pelo Cena Contemporânea. Tanto a performance de Maikon como a oficina perpassam o corpo enquanto forma de expressão. As duas previstas para o mesmo lugar. As duas transgredindo o debate sobre arte. As duas incorrendo nas mesmas resistências.

O Cena Contemporânea, então, iniciou o diálogo com Maikon, que acolheu a iniciativa e se mostrou igualmente animado com a possibilidade do retorno e a chance de uma nova apresentação, da qual ele jamais abriu mão. A coordenação do Cena estendeu o convite ainda para que Maikon participasse da “Fotona” (como tem sido chamada), por meio de uma fala destinada aos voluntários presentes. Convite aceito.

Sempre em busca do ineditismo e entregue às provocações da contemporaneidade, o Cena Contemporânea não poderia se escusar do debate. Pelo contrário, toma-o para si e o desdobra. No dia 2 de setembro, haverá uma foto jamais feita na capital federal, precedendo a performance de Maikon K, que retorna para terminar o que começou. Todos são convidados. Que nada detenha a arte (esteja ela despida ou não).

APRESENTAÇÕES

Fotona, com Kazuo Okubo e Maikon K

Dia 2 de setembro, a partir das 8h da manhã

Não recomendado para menores de 18 anos

Oficina aberta a voluntários com resultado prático em uma sessão fotográfica. Entrada franca

 

DNA de DAN, com Maikon K.

Dia 2 de setembro, a partir das 17h.

Interação com o público a partir das 20h.

Não recomendado para menores de 16 anos.

Entrada franca

 

SINOPSES

FOTONA

COM KAZUO OKUBO (DF) E MAIKON KEMPINSKI (PR)

O protagonismo dramatúrgico da fotografia enquanto parte fundamental de um processo cênico. A relação visceral entre fotógrafo e fotografado, em paralelo ao vínculo de confiança, intimidade e cumplicidade que se estabelece entre diretor e elenco. A narrativa do corpo. O corpo concreto. O desnudamento das camadas sociais e das construções moralistas. A expressão artística crua em conflito com a rigidez das vestes tradicionalistas. O processo de se doar em prol de um olhar acolhedor e provocativo. A força política da estética e da imagem a ser demonstrada na realização da “fotografia de nudez artística com o maior número de participantes na história do Distrito Federal”.  Idealização e concepção de Diego Ponce de Leon e Kazuo Okubo.

KAZUO OKUBO – Fotógrafo e galerista. Começou sua carreira aos 15 anos, passando pela fotografia publicitária e tendo recebido diversos prêmios. Desenvolve trabalhos autorais desde 2003 e é fundador da primeira galeria do Centro-Oeste especializada em fotografia, A Casa da Luz Vermelha, onde coordena e produz dezenas de exposições, workshops e eventos.

 

DNA de DAN

COM MAIKON KEMPINSKI (PR)

Metamorfose induzida.

Camadas de matéria para atravessar.

O mistério de um corpo in vitro.

Dan é a serpente ancestral, origem de todas as formas.

“DNA de DAN” é uma dança-instalação de Maikon K. A performance acontece dentro de um ambiente inflável criado pelo artista Fernando Rosenbaum. O público poderá entrar nesse espaço e lá permanecer. Num primeiro momento, o performer mantém-se imóvel enquanto uma substância seca sobre seu corpo. Após essa fase da experiência, ele se moverá. A construção de outra pele, o ambiente artificial e a relação com o público são dispositivos para esta performance, na qual o corpo do artista passa por sucessivas transformações.

Concepção e performance: Maikon K

Ambiente: Fernando Rosenbaum

Pele: Faetusa Tezelli

Iluminação: Victor Sabbag

Orientação de movimento: Kysy Fischer

MAIKON K – Maikon K atua nas fronteiras entre performance, dança e teatro. O centro de seu trabalho é o corpo e sua capacidade de alterar percepções. Influenciado pela visão de mundo xamânica, constrói realidades por meio de canção, som não verbal, signos visuais e atividades ritualizadas. Entre suas criações estão Corpo AncestralTerrário e O Ânus Solar.

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Incentivo e fomento

Este projeto é realizado com recursos da Lei de incentivo à cultura do Distrito Federal.