A FLORESTA QUE ANDA – CHRISTIANE JATAHY/CIA VÉRTICE (RJ)

Coprodução com o Cena Contemporânea

Foto: Marcelo Lipiani

Foto: Marcelo Lipiani

A Floresta que Anda’, completa a trilogia formada por ‘Julia’ (2011) e ‘E Se Elas Fossem Para Moscou?’ (2014). Após enveredar pela dramaturgia de Strindberg (‘Senhorita Julia’) e Tchekhov (‘As Três Irmãs’), a diretora Christiane Jatahy escolheu o clássico ‘Macbeth’, deWilliam Shakespeare, como ponto de partida para este novo projeto, que dá continuidade à pesquisa sobre as fronteiras entre teatro, artes visuais, performance e cinema.

Desta vez, o espaço cênico funciona como uma galeria de arte, abrigando uma vídeo instalação, composta por quatro telas que exibem histórias de pessoas jovens que tiveram a sua vida atravessada pelo sistema político e econômico brasileiro e também mundial. Novas entrevistas serão feitas em cada cidade por onde o trabalho – que já passou por Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Amsterdam (Holanda) e Frankfurt (Alemanha) – for apresentado.

A cada dia, o local receberá um vernissage – com direito a serviço de bar – e os espectadores vão assistir aos vídeos e serão envolvidos por uma série de situações que os colocarão no meio de uma performance que mistura realidade e ficção . Diferente dos outros dois espetáculos, ‘A Floresta que Anda’ não deixará o texto que o inspirou tão aparente: ‘Macbeth’ estará invisível, mas presente em toda a estrutura da apresentação “Lanço a pergunta sobre quem seria, ou o que seria, esse Macbeth hoje. Não para encontrar alguém que o simbolize, mas para refletir sobre como a relação gananciosa dos sistemas de poder estão em torno de nós e nos atravessam direta ou indiretamente”, ressalta Jatahy.

Presente em toda esta trilogia de apropriação de clássicos, a questão política apareceu com mais força no atual processo. Se ‘Julia’ trazia como foco a relação entre patrão e empregado e ‘E Se Elas Fossem Para Moscou?’ falava sobre imobilidade a partir de aspectos íntimos, ‘A Floresta que Anda’ mergulha verticalmente na discussão dos sistemas políticos e sociais.

“Refletimos sobre um sistema que pune para favorecer alguns em detrimento de muitos. As entrevistas filmadas ajudam a mostrar como a política nos atinge em diversos níveis. São situações que acontecem de maneira muito próxima, mas que não dos damos conta”, conta a diretora, que começou a idealizar a montagem após a experiência com o projeto ‘Utopia.doc’, em que filmou conversas com imigrantes de todo o mundo.

CHRISTIANE JATAHY – Nos últimos 15 anos, Christiane Jatahy se dedicou à pesquisa de novas possibilidades cênicas. Espetáculos como ‘Carícias’ (2001) e ‘Leitor Por Horas’ (2006) já apresentavam novos pontos de vista ao espectador. O processo se intensificou com a trilogia formada por ‘Conjugado’ (2004), ‘A Falta que nos Move’ (2005) e ‘Corte Seco’ (2009). Nesta última, a diretora fazia intervenções ao vivo, a estrutura dramatúrgica mudava a cada noite e o vídeo começa a ser usado como parte fundamental da ação.

Em seguida, ‘A Falta que nos Move’ dá origem a um longa-metragem homônimo, filmado por treze horas consecutivas e sem interrupções. Os atores eram dirigidos sigilosamente por mensagem de texto e os cortes só foram feitos na edição. Além da versão editada que chegou aos cinemas, as treze horas de filmagem foram exibidas na íntegra – em três telas, uma com o conteúdo de cada câmera – em uma performance cinematográfica.

A fricção entre a linguagem teatral e a cinematográfica se estabelece como motor da nova trilogia, formada por ‘Julia’, ‘E Se Elas Fossem para Moscou?’ e ‘A Floresta que Anda’. Os três espetáculos tem textos clássicos como pano de fundo e trazem enfoques diversos de temas políticos e sociais do mundo contemporâneo.

Em fevereiro de 2017, Christiane Jatahy vai estrear o seu primeiro espetáculo como diretora convidada da Comédie-Française, a secular companhia teatral francesa em atividade desde 1680.

A Cia. Vértice é patrocinada pela Petrobras.

FICHA TÉCNICA
Inspirado em Macbeth, de William Shakespeare
Com Julia Bernat e performers convidados
Criação, e direção ao vivo: Christiane Jatahy
Direção de fotografia, iluminação e câmera ao vivo: Paulo Camacho
Concepção de cenário: Christiane Jatahy e Marcelo Lipiani
Direção de arte e cenário: Marcelo Lipiani
Projeto de som e sonoplastia: Estevão Case
Colaboradores artísticos: Isabel Teixeira, Stella Rabello e Henrique Mariano
Figurino: Fause Haten
Sistema de vídeo: Julio Parente
Assistência de direção e interlocução artística: Fernanda Bond
Assistência de Iluminação: Leandro Barreto
Assistência de palco: Thiago Katona e Diogo Magalhaes
Operação de video e músico: Felipe Norkus
Mixagem som ao vivo: Francisco Slade
Direção de produção e tour manager: Henrique Mariano
Coprodução: Co-produção: Le CENTQUATRE Paris/França, Odéon Theatre de l’Europe Paris/França, Kunstlerhaus Mousonturm Frankfurt a.M./Alemanha, TEMPO_FESTIVAL Rio/Brasil, CENA CONTEMPORÂNEA Brasilia/Brasil  e SESC São Paulo/Brasil
Patrocínio da Companhia: Petrobras
Um projeto da Cia Vértice de Teatro

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